O PAÍS ESTÁ DOENTE E NÃO É DE COVID-19

Hoje levanto a seguinte questão: o que os governantes devem fazer para mitigar os problemas advindos de uma pandemia? Como devem funcionar as estratégias de saúde de um país, independentemente de endemias, epidemias ou mesmo no caso de pandemias? Por que os países tiveram tantos problemas frente a esta pandemia da CoViD-19?

Não gostaria que a preocupação fosse com as pessoas depois de elas enfrentarem um problema do tipo que estamos enfrentando agora. Por que não prepará-las antecipadamente para o caso de isto acontecer num futuro, ainda que desconhecido? visto que, em toda a história da humanidade existe registro de grandes epidemias e pandemias, tais como a peste de Siracusa, a Peste Justiniana, a terrível Peste Negra (sec XIV), a própria gripe Espanhola em 1918 entre tantas outras!

Seria necessário ressuscitar Osvaldo Cruz?

Não estou falando em impedir a ocorrência de uma pandemia, isso seria muita pretensão da parte de qualquer um, mas falo sim, de tentar mitigar os efeitos adversos que uma pandemia pode provocar na saúde mental de uma população.

O que temos? Em pleno século XXI, países desenvolvidos sem estrutura de saúde capazes de atender os menos favorecidos socioeconomicamente de sua população; e o Brasil com um modelo teórico de sistema de saúde que prega a equidade e a universalidade, já sufocado antes mesmo da ocorrência de uma pandemia.

Podemos afirmar que, me limitando ao Brasil, minha nacionalidade e país onde vivo, está doente hoje, e não é de CoVid-19, é de uma política pobre, suja e fétida que vem em estado de putrefação há muitos longos anos, apoiada numa falta de investimento em educação, que antes era decadente, hoje, inexistente.

Vivemos em um país onde professor é mendigo, estudante é praticamente “vagabundo”, “marginal”, “preguiçoso”, “desocupado” e fazer ciência é dispendioso, custoso, caro; profissional é capacho do patrão que, se não fizer como o patrão quer é demitido.

Mas hoje, em abril de 2020, desde o início do ano, o mundo está preocupado com um vírus. Porém, dominamos uma tecnologia de uma arma de destruição em massa, a tão temida bomba atômica; temos a ciência, e já enviamos os primeiros homens à Lua (e que fique bem claro, desde a década de 1960); enviamos sondas de exploração espacial para outros planetas; detectamos buraco negro; podemos nos comunicar através de sons e imagens em frações de segundos, graças a tecnologia da internet (e que fique bem claro, desde a guerra fria), mas que não descobrimos a cura para a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (HIV/AIDS), diga-se de passagem, descoberta em 1981 e desde então já matou mais de 35 milhões de pessoas, de acordo com o Portal Médico sem Fronteiras (MSF).

E, em abril de 2020 temos que ficarmos trancados/confinados dentro de nossas casas por conta de outro vírus que pode levar a superlotação dos hospitais que, de acordo com os noticiários, a nível de Brasil, sempre estiveram superlotados e sucateados. Somente agora nos preocupamos com a falta de leitos de UTI; com a falta de equipamentos eletromédicos, até mesmo com a falta de equipamentos de proteção individual (EPI) dos profissionais de saúde.

Um mundo globalizado, predominantemente capitalista, com as atividades de comércio paradas!

Não tenho qualquer oposição a ideologia política, porém, sou a favor daquela que funcione, que vise primeiramente as necessidades básicas do ser humano, secundariamente atenda os anseios da maioria.

Em pleno século XXI, em meio a uma crise mundial pandêmica, não é pra se discutir a destinação dos recursos financeiros, ainda assim, ouve-se falar em desvios!

Sim, estamos em um país doente, e não é de CoViD-19

Publicado por

Roberto Monteiro

Engnheiro Civil, Servidor Público, Professor, Mestre em Engenharia Civil, Especialista em Gerenciamento na Construção Civil e em Engenharia Clínica.

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